Caso Isabella Nardoni

Amanhã inicia o julgamento do casal Nardoni pelo Tribunal do Júri de SP, acusado de matar a filha/enteada em 2008. Esse caso teve uma repercussão imensa na mídia nacional. Eu fico me perguntando se haverá possibilidade de um julgamento de verdade, pois eles foram “condenados” antecipadamente pela população em geral.

Não estou defendendo o casal, em hipótese alguma, sou mais uma pessoa que acaba por acreditar no que diz a imprensa. Sem examinar o processo, tem-se a impressão de que eles realmente cometeram o crime brutal. Mas como advogada não posso esquecer que uma coisa é o que se fala na imprensa; outra (no mais das vezes bem diferente) é o que vai aparecer nos autos.

O complicado desse tipo de caso é que não há como tirar da mente dos jurados tudo o que eles já ouviram e viram sobre o fato. Eles estão irremediavelmente contaminados por informações e conclusões, deles mesmos e de outros. Isso é péssimo qdo se quer fazer justiça.

Eu ouço a imprensa dizer que, agora, saberemos o que aconteceu. Na verdade nunca saberemos o que aconteceu …a verdade real. A única coisa que vamos saber é a verdade dita “processual”, que é a que se apresenta no processo pelo conjunto de provas. E é essa que deve ser examinada pelos jurados.

Como não ouve confissão (que por si só não bastaria) nem testemunha presencial são as perícias técnicas que poderão elucidar o caso, junto com outros elementos de prova. Mas é a perícia bem feita que resolve essas questões. E perícia bem feita é uma coisa ainda complicada no Brasil.

Diversos casos não são solucionados pela falta ou deficiência na perícia técnica. Falta de recursos, de pessoal, de gente mais capacitada…muita coisa atrapalha aqui. É uma lástima.

Quanto aos Nardoni me parece que já estão previamente condenados, independente do que conste nos autos. A não ser que os jurados sejam muito capazes de abstrair tudo o que já ouviram.

De todo jeito eu ouso dizer que corremos um sério risco de não alcançarmos justiça nesse caso. Se o que a imprensa noticiou na época é verdade, não há provas “cabais” de que o casal matou Isabella. Ninguém viu nada…Mas muita coisa indica que sim. E a grande maioria das pessoas “acha” que foram eles sim! E “certeza” nesse caso se torna algo bastante subjetivo.
E agora? Como ficamos? Será que isso é suficiente para uma condenação?

Eu creio que pior do que deixar um culpado impune é condenar um inocente. Não há injustiça maior do que essa…
Dura função a dos jurados…não queria estar na pele deles.
Temos que deixar que as provas falem por si, e esperar que isso seja suficiente.
Abraços.

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