Casamento

Hoje eu estava pensando a respeito do casamento. As pessoas do meio evangélico em geral dão muita importância ao casamento. Eu falo do casamento como instituição, aquele feito em cartório, com registro e cerimônia na igreja. Mas dão uma ênfase bem grande ao registro civil. Casamento é só aquele que é feito no cartório. Ninguém vai questionar se são casados ou não se houver o registro. Mas se tiverem feito uma cerimônia religiosa somente, sem a oficialidade, não vale. Não são casados.
Eu quero falar um pouco dessa exigência do registro civil.
Ao que me consta, nos tempos bíblicos não havia cartórios. As pessoas faziam uma festa e pronto: marido e mulher. É claro que com o passar do tempo isso foi mudando. Mas pq mudou?
Na minha ótica o que mudou foi a postura das pessoas frente ao casamento. Com a “evolução” da sociedade e seu crescimento estupendo, as coisas começaram a se complicar. Principalmente no que respeita a bens materiais. Tinha que ficar bem claro quem era de quem e o quê era de quem.
Na verdade, a necessidade de um registro público de casamento foi para facilitar o conhecimento de quem era casado e quem não era, o regime de bens que se estabelecia (tudo girava em torno dos bens, lembram do dote?) e mais: a mulher, até não muito tempo atrás, era propriedade do marido. Ele decidia a vida dela. Tem muito marido aqui que ainda acredita nisso…
Ainda é assim em alguns países.
Mas hoje as questões de casamento estão fundadas muito mais no compromisso público do que em um papel. Pq? Porque percebeu-se que não adiantava um papel dizendo que alguém era casado. Os homens tinham mulheres fora do casamento. E tinham filhos. E essas famílias que se formavam ficavam, na maioria das vezes, desamparadas economicamente. Os filhos eram tidos como bastardos. A mulher era a concubina…Um horror!
Então a lei foi mudando.
Hoje um relacionamento estável (moram juntos, tem filhos ou não e a relação é pública ou pelo menos visível) é comparado a um casamento. Os direitos são iguais. O papel praticamente só impede que a pessoa se case de novo no cartório. Tem quase nenhuma utilidade.
Então eu me pergunto: pq quando um casal novo que se converte, vive junto há anos, é tido como em pecado pq não casaram no civil? Não entendo isso!! Pecado é não ter compromisso ou não ter um registro?
Acho que as igrejas ainda exigem algo que não tem mais relevância, pelo menos não a que tinha.
Do que têm medo? De que se não tiver o “papel” o casamento não vai durar? O registro é pra garantir o quê exatamente? Funciona como uma coleira, uma prisão? É por isso que muitos homens temiam o casamento, mas hoje a lei mudou isso. O que vale é a vida das pessoas.
Essa “garantia” que tinham pq eram casadas no cartório acabou!!
E a meu ver, para Deus, o que interessa é o compromisso que as pessoas fazem entre si. Dizer que duas pessoas que vivem juntas a anos, se amam, se respeitam, são fiéis e tudo o mais estão em pecado é meio ridículo! Os coitados precisam se separar, um sair de casa e outras coisas mais…até que “casem” direito…Mas nem a lei faz essa exigência para caracterizar uma relação como se de casados fossem…
Ok, é bom casar no civil. Ajuda em algumas coisas, facilita outras talvez. Mas alguém ainda acredita que um casal vai permanecer casado ou vai ser mais fiel, ou o casamento vai ser melhor só pq tem registro? Temos muitos exemplos pra mostrar que não…e dentro da igreja mesmo.
Eu acho que precisamos rever os conceitos. É hora de evoluir. Deus quer compromisso, não obrigação. Mas é mais fácil pôr no papel…dá pra cobrar com mais autoridade…vixe…

Abraços.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s