Humilhação, na visão de quem sabe o que diz.

Como já falei aqui em outro post, estou lendo um livro de Z. Bauman. Não é uma literatura das mais fáceis. Gosto de ler antes de dormir mas confesso que os livros dele não são muito indicados para essa hora do dia.  Por vezes tenho que voltar e reler para entender o que ele quer dizer. Bauman gosta de frases longas, com parênteses no meio, complicado. Mas é um bom escritor.
Acho que terei de lê-lo mais de uma vez para poder absorver toda aquela reflexão sobre a vida, tem coisas muito profundas ali. Mas ontem me deparei com uma parte do texto que me impressionou. Não que seja algo tão relevante face às demais coisas que encontrei, mas percebi o quanto faz diferença saber usar as palavras. Ele falava sobre humilhação. Bauman trouxe a definição de Dennis Smith ao “ato humilhante”. Esse autor (não conheço) definiu com uma claridade solar “o que” é capaz de humilhar uma pessoa na sua dignidade. Fiquei impactada. Impressionante como ele  consegue descrever com tamanha precisão um sentimento tão complexo quanto esse. Vou copiar aqui essa parte, acho que vale a pena:

…o ato é humilhante se ignora ou contradiz vigorosamente a afirmação de determinados indivíduos…a respeito de quem são e onde e como se encaixam.” A pessoa se sente humilhada quando alguém lhe “mostra brutalmente, por palavras, ações ou eventos, que ela não pode ser quem pensa que é…A humilhação é a experiência de ser, injustamente e contra a vontade, empurrado para baixo, mantido embaixo, atrás ou empurrado para fora.”


Olha…acho difícil encontrar uma descrição melhor do que esta.
Mas por que resolvi escrever sobre isso? Simplesmente porque já passei por isso e acredito que muita gente por aí, que vai ler este post, também. Segundo Bauman, a “negação do reconhecimento” é, em nossa sociedade, a maior causa de ressentimentos, vinganças, rebeliões e conflitos.
Já ouvi algumas pessoas dizerem que não se deve buscar reconhecimento. Me desculpem estas, mas não concordo. A busca do reconhecimento nada mais é do que o outro lado da moeda, que é o dever de reconhecer alguém, pelo que é, pelo que faz. Ou não fazemos isso com nossos filhos quando eles vão bem na escola? Alguém (mentalmente são) diz para seu filho algo do tipo “você não fez mais que a obrigação” quando ele vem mostrar as notas boas na escola?
Para mim mesma e para aqueles que já se sentiram humilhados algum dia, como um peixe fora da água, fica uma palavra: força. Sempre é possível encontrar um aquário, em alguma esquina. Basta ficar atento.
Por hoje era isso.
Abraços.

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