Quem tem medo de sonhar?

Sonhos são uma coisa curiosa. Há os bons sonhos, os inócuos e há os pesadelos. Ninguém quer ter pesadelos quando vai dormir. Lembro que na minha juventude eu tinha pesadelos terríveis. Acordava chorando, em pânico. Hoje é raro ter sonhos desse tipo. Me é comum sonhar com coisas inexpressivas, meio confusas, ou com histórias de início meio e fim mas sem importância alguma. Tem dias que minha mãe aparece nos meus sonhos, mas são sempre bons momentos. As vezes aparecem meu pai, meu irmão, todos já se foram da minha vida material. Mas surgem nas estórias mentais da madrugada. 
Existem  sonhos que não fazem parte – propriamente – da ala noturna. São os projetos, desejos, metas, coisas que queremos realizar, alcançar. Eu sempre fui uma pessoa dada a esse tipo de “sonho”. Sempre gostei de ter metas, alvos, coisas lá na frente onde eu queria “chegar”. Uma fita no ponto de chegada, tipo maratona.
Mas, após alguns projetos frustrados, parei de sonhar. Desisti.
Não há nenhum problema grave em desistir, penso eu. Acho plenamente viável abrir mão de coisas. Imaginem se ninguém desistisse de absolutamente nada na vida.
Alguns acreditam que “desistir” é sinônimo de fracasso. Não penso assim. Algumas coisas se tornam tão penosas ou complicadas que desistir delas pode ser a saída mais coerente. Mas é preciso coragem e saúde mental para desistir de algo e ficar bem. 
Algumas de minhas desistências foram bem tranquilas. Acho que ganhei mais do que perdi com elas. Mas outras não.
Eu já havia determinado a mim mesma que não sonharia mais. Questão de auto preservação: a frustração é uma coisa bem chatinha de lidar. Mas ouso dizer que tenho pensado em resgatar alguns sonhos.
Uma vozinha lá no fundo diz: – Fica quieta aí e não inventa!! Esqueceu já??
Outra voz fala: – Come on!!! Vai ficar aí, envelhecendo? Só falta o tricot!!!
VIXE! Que voz escutar? Ou melhorando a pergunta: que voz está com a razão? 
Refletindo sobre algo que ouvi esses dias, percebo que euzinha não tenho “nenhuma necessidade” de me mexer daqui. Minha vida é confortável, cômoda e até que bem tranquila. Ou seja, não preciso me mover pela “necessidade”. Eu posso perfeitamente envelhecer aqui na minha casa, no meu sofá, com ou sem tricot, fazer o que quero quando quero, com liberdade, sem muito compromisso, filhos adultos…mas que beleza!! É ou não uma vida tranquila? Um tanto egoísta, mas com um certo desconto…
Mas eu também posso me mover “para” a necessidade. Que não é a minha. Há uma necessidade que espera atitude. Há um trabalho a ser feito, que precisa de trabalhadores. Pessoas pedem ajuda. Curiosamente, coincidem com velhos sonhos meus, dos quais eu havia desistido…mas que coincidência, não?
Me sinto desafiada. Lembro como eu gostava de me sentir assim. Hoje, com mais de cinquenta anos nas costas, já não tem o mesmo sabor.
Mas me parece que o momento é outro. Antes, a necessidade era minha de “fazer”, realizar o meu sonho. Se hoje meus movimentos forem direcionados “para” a necessidade e não “pela” mesma, talvez o resultado seja outro que não a frustração. Porque talvez, dessa forma, meu sonho se torne ajudar outros a realizarem os seus sonhos. Mudou o foco, percebem? 
Quem sabe? São pensamentos. Colocar aqui me ajuda a por em ordem as coisas. Se ajudar mais alguém…já valeu! Vamos indo, passo a passo. E veremos o que nos aguarda.
Confio em Deus que me conhece melhor do que eu mesma. A voz que quero ouvir …é a Dele.
Abraços.

 

 

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