O luto, a culpa e as palavras insensíveis…

Depois dessa tragédia ocorrida na cidade de Santa Maria ouvimos, lemos e vemos de tudo. Hoje, ouvido o programa Polêmica, ouvi muitas coisas interessantes sobre o assunto. Mas quero comentar o que uma psicanalista, participante da mesa de debates, disse lá. Ela falou as seguintes frases, que procurarei transcrever, em vermelho, da forma mais fiel possível:
Digo aos pais: não se culpem.
 Perdoem-se uns aos outros, todos.
A culpa é o contrário (ou usou palavra semelhante) da responsabilidadeA culpa é uma fuga da responsabilidade.
Quando as pessoas se sentes culpadas elas se acreditam mais importantes do que realmente são.
Vou ter que dar meu pitaco (como diz o radialista Lauro Quadros) no assunto. Pitaco de leiga, claro, já que sou das ciências sociais, mas das jurídicas.
Gosto muito da psicologia, psiquiatria e psicanálise. Leio tudo o que me cai nas mãos sobre essa área. Sei que há uma corrente, linha, ou seja lá como se possa chamar, que entende que a culpa é uma espécie de ego supervalorizado. O culpado se acha tão importante que acredita que se ele agisse de modo diferente poderia ter feito toda a diferença em algum fato ou momento.
Olha, posso até concordar com essa afirmação se fizer eu um estudo mais aprofundado da coisa toda e entender alguns mecanismos inconscientes da mente humana.
Agora, ir a um programa de rádio, num momento como este e dizer aos pais dos jovens mortos naquele evento horrível que a culpa – que eles na sua maioria sentem – é pq se acham mais importantes do que realmente são é, no mínimo, uma imensa ESTUPIDES. 
A psicanalista não poderia ter sido mais infeliz.
As primeiras duas frases que citei estão absolutamente certas. Mesmo que o momento seja de ira, frustração, dor e revolta, culpar-se pelo acontecido, mesmo que inevitável, deve ser desencorajado firmemente. O perdão a si mesmo e aos outros trás um alívio verdadeiro, apesar de necessitar de um tempo para ser concedido via de regra.
Mas as duas últimas frases…sinceramente…ajudam no que? Nada mais são do que uma arrogante tentativa de mostrar conhecimento de causa que não contribui em nada no momento de dor em que todos estão vivendo.
Não pude deixar de comentar o assunto. Lamentei equelas palavras, que podem até ser verdadeiras, mas que em nada ajudam e podem até confundir a cabeça daqueles pais, familiares e amigos tão sofridos…
A entrevistada perdeu a oportunidade de calar-se…
Abraços.
 
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